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Morre o homem Saramago. Vive sua obra rumo ao futuro

Posted in literatura with tags , on 18/06/2010 by transitoriamente

José Saramago despertou orgulho em muitos brasileiros quando em 1998 venceu o Prêmio Nobel de Literatura.

Muitos sentiram-se agraciados, admitindo ainda mais o nosso respeito aos nossos irmãos de sangue portugueses. Aquela vitória também era nossa, pois acima de tudo tínhamos o primeiro autor de língua portuguesa a vencer um Nobel.

Antes de José Saramago, pelo menos para a minha geração, a impressão era de que todos os grandes autores mundiais pudessem ter sido uma invenção midiática, já que não havia nenhum deles vivo. Saramago estava ali em carne e osso.

Com sua literatura idiossincrática, sem parágrafos e pontuações habituais, Saramago emitiu opiniões capazes de fazer tremer a teia do pensamento ocidental dos últimos 30 anos. A profusão e a densidade de cada página de sua escrita não parecem estar ali a não ser para fazer o leitor arder no suor produzido ao tentar atravessar as suas centenas de páginas. O trabalho extenuante da reflexão.

E se a partir de agora ninguém mais morresse? E se de repente todos ficassem cegos? E se Jesus Cristo desse a versão dele ao evangelho?

Em tempos de luta científica pelo elixir da vida eterna e de cegueiras brancas pelo excesso de luz e luminosos, provavelmente a obra de Saramago ainda nos surpreenderá lá adiante na escala do tempo. Não creio que seja tudo para o agora, nem poderia.

Ateu declarado, recentemente teceu duras críticas ao Vaticano.  onde disse que “a bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”.

O autor português alcançou sucesso internacional tardio, aos quase 60 anos, caso levemos em conta o ideal juvenil de riqueza, fama e poder tão vigente em nossa sociedade. O mundo realmente ouviu falar de Saramago a partir de “Memorial do Convento”, de 1982.

Em 2008 lançou um blog (http://caderno.josesaramago.org/) e no mesmo ano o seu livro “Ensaio sobre a cegueira” foi adaptado ao cinema pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.

Deixou Portugal e se estabeleceu na Espanha depois de desentendimentos políticos, como certa vez disse: “Eu saí de Portugal porque tinha um problema com um governo, não com Portugal, aliás, com aquele governo que já passou”.

Por mais polêmicas e fortes que sejam suas opiniões não se pode negar a sua enorme contribuição para o exercício da reflexão.

Você pode assistir (o segundo vídeo) o trailer do ainda inédito José & Pilar, documentário sobre a vida do escritor e sua mulher, a jornalista espanhola Pilar Del Rio. O doc, dirigido pelo português Miguel Gonçalves Mendes, foi produzido pela Jumpcut (Portugal) e co-produzido pela O2 Filmes (Brasil) em parceria com a El Deseo (Espanha).

Morre o homem Saramago. Vive sua obra rumo ao futuro.

Antonio Rossa

Novo trailer de Blindness na web!

Posted in cinema with tags , , , , , , on 07/07/2008 by transitoriamente

 

O esperado novo filme de Fernando Meirelles – Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness) – ganhou um novo trailer (agora sim a altura do nome). O primeiro trailer não convenceu, com uma simplicidade “forçada”, pouco informativo e sem gosto.

 

Foram lançados também cinco novos cartazes do longa, com os personagens principais (veja aqui).

 

Nosso antenado leitor Nuno Santos nos informou que segundo o site www.imdb.com o filme será lançado dia 12 de setembro no Brasil. Estou curioso para “ver” as palavras de José Saramago no olhar de Meirelles. Tarefa complicada, por isso tamanhamente aguardada.

 

Antonio Rossa

 

 

 

Saramago e Fernando Meirelles no preview de “Cegueira”.

Posted in Uncategorized with tags , , , , on 22/05/2008 by transitoriamente

Um momento mágico! Imagens… Sem palavras.

Cannes/05.2008

Blindness – O novo desafio de Fernando Meirelles.

Posted in cinema with tags , , , on 15/04/2008 by transitoriamente

 

Se alguns dos motivos que lhe levam a assistir a um filme sem muitos pré-conceitos são elenco, diretor e roteiro, eis que você verá este filme sem muitas objeções.

 

No elenco temos Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael Garcia Bernal, entre outros.

 

Acontece que estamos diante de José Saramago, o escritor português (prêmio Nobel de Literatura em 1999) mais famoso desde Fernando Pessoa. Levando em consideração que cada livro seu daria pelos menos “cinco filmes”, no mínimo, o buraco neste caso pode ser mais embaixo. Não pela complexidade da obra em si, mas pelas escolhas que o diretor fará ou não fará.

 

O próprio Saramago já disse em entrevista que já recusou inúmeras propostas de adaptação de suas obras para o cinema.

 

  “Ensaio Sobre a Cegueira”, que baseia o longa Blindness e que conta com a direção de Fernando Meirelles, o mesmo de Cidade de Deus; é um livro denso, cada página interminável parece consumir o leitor diante de palavras supra-repetidas. Parece haver ali a intenção de deixar a vista do leitor nebulosa (trata-se de uma história sobre uma epidemia de cegueira, sem motivo aparente e sem cura, onde somente uma pessoa consegue enxergar).

 

É um livro quase torturante e que contrasta o ser-humano e sua cólera, a inversão de valores, os desejos mais primitivos diante de uma cegueira branca.

 

Na trama de Saramago, existem vários filmes, e aí então uma questão parece querer saltar: Qual ou quais destes filmes Meirelles resolveu filmar?

 

Será um filme de violência, sexo ou redenção? O quanto disso não é risco calculado? Teremos um filme à altura da inquietação de Saramago?

 

Bom, agora é esperar Setembro, mês previsto para o lançamento do filme aqui no Brasil. Blindness ainda conta com a trilha sonora do grupo mineiro Uakti, que já esteve no Trânsito Musical. 

 

E você? Diante da nossa realidade, o quanto você ainda consegue enxergar?

 

 

Um abraço, Antonio Rossa