Archive for winehouse

Amy Winehouse: Estilo ou Decadência?

Posted in musica with tags , , , , , , , on 11/01/2011 by transitoriamente

Quando coloquei os pés para fora do Stage Music Park, já na madrugada de Domingo (09.01), em Florianópolis, parei por alguns segundos a fim de tentar compreender o que tinha sido aquela noite.

Até onde o mero “ícone” e a força de sua imagem suplantam o objetivo do seu fazer, que no caso da cantora Amy Winehouse seria antes de tudo cantar competentemente? Sim, pois pose à parte, eu particularmente queria o âmago de seu gogó, ao contrário dos resmungos onipresentes que perduraram por um tempo acima da substância do estilo (ou do style como alguns dizem por aí).

Não me surpreende imaginar que muitas pessoas tenham gostado da apresentação de Winehouse aqui na capital catarinense, com toda a áurea de ser a primeira vez. O poder do ícone, da imagem e do ídolo realmente tendem a ofuscar aparentes deslizes e estranhezas ímpares. O deslumbre material ecoa até mesmo em profissionais de mídia que deveriam descer do olimpo das aparências e relatar realidades claras e evidentes.

Tenho a real convicção de que dentro de alguns anos sentiremos na carne os efeitos nocivos da onda do “politicamente correto” que assolou (e ainda assola) o ocidente nessas últimas décadas.

Andei lendo críticas severamente tortas, que apesar de serem opiniões pessoais, entristeceram-me pela superficialidade e apelo demasiado visual e onírico. Algo como: prefiro descrever minha projeção do que deveria ter sido a relatar o que realmente foi.

Imagine um amigo seu elogiando sua cagada. Seria este então um amigo?

Custo, mas tento compreender o coro da torcida que se preocupa mais com a postura da cantora do que com sua música propriamente dita.

A música estaria relegada a segundo plano no mundo atual em troca da “presença” de um artista no “terrreno da sua casa”?

Faz parte do meu show, meu amor! Espera aí, comigo não!

Winehouse cantou, de fato, em duas ou três canções. Ali sua poderosa voz e seu carisma apareceram. Nas demais um tom confuso deu as cartas, sendo que em algumas canções a artista parecia cantar fora do tom, o que por vezes fez a banda perder o compasso – profundamente diferente de uma banda circense em seu caos natural.

Seria tudo isso parte do show de Winehouse? Não gostaria de crer nisso, até mesmo pelo fato de seus descompassos terem beirado a “mornisse”, sem nenhum pé-na jaca clássico e com raros brilhantismos genuínos.

O show curto (menos de 1 hora) não teria sido um grande problema caso a apresentação tivesse sido convincente.

Crack nem pensar!

Ofuscados pelo “brilho dos ídolos” a dúvida acabará por não nos deixar respostas claras. Porém, caso alguém ouça com cuidado os cds da cantora e assista a dezenas de seus shows anteriores, poderá concluir que o declínio é o atual caminho dessa que um dia já foi considerada a maior voz do planeta.

Quiçá não, mas como pensar o contrário vendo tudo isso ao vivo e a cores?

Em relação aos shows de abertura, Mayer Halthorne fez um show competente, sendo prejudicado no máximo pelo fato da maioria de suas músicas serem desconhecidas do público. Já a cantora Janelle Monáe fez um showzasso e realmente levantou o público.

Foi uma noite muito legal, boa para ver certas verdades que certos jornais não dizem por aí.

Antonio Rossa

Onde King é rei

Posted in musica with tags , , , , , , , , , on 25/06/2010 by transitoriamente

Passam décadas, modas e movimentos e a Black Music continua influenciando gerações com sua batida, seu groove e sua força.

Não é raro ver nos charts mais disputados do mundo quase que uma hegemonia das raízes musicais “black”, onde atualmente o R&B parece reinar.

Posso fazer uma pequena lista, sendo realmente simplista, de alguns representantes da black

music e lá estariam pelo menos James Brown, Michael Jackson, Tim Maia, Jorge Ben, Jamiroquai e Amy Winehouse.

Nessa lista você também notaria que nem só de rostos negros se faz este estilo, isto é, a sua condição global e multi-racial já é um fato consolidado e indiscutível.

Muitos nomes seriam necessários para deixar essa lista acima com a cara e o teor que ela merece, e sem dúvidas o nome do cantor brasileiro Gerson King Combo deveria estar lá.

Não será nenhuma surpresa caso você não tenha ouvido falar no nome de King Combo, mas posso lhe garantir que isso se deve em parte à nossa própria desatenção cultural e também ao nosso defeituoso processo de reconhecimento da nossa própria história.

King Combo  foi fundador do movimento “Black Rio” nos anos 70, que vinha de uma mistura quase explosiva do suingue americano com a batida brasileira, e que foi denominado Brazilian Soul.

A banda catarinense Sociedade Soul (assista ao clipe abaixo), que leva a black music em sua raiz, não deixou isso passar batido e convocou King Combo para mais uma jornada de grooves.

Como parte dos festejos de lançamento do primeiro CD da Sociedade Soul (veja a capa abaixo com exclusividade), a banda trará a Florianópolis (09 de julho) essa ilustre figura da nossa música, que para os apreciadores e conhecedores do gênero é tido como o “rei da música negra brasileira”.

Será uma brilhante oportunidade para você curtir parte da nossa história musical regada ao som de extrema qualidade deste quarteto catarinense, e que ainda está preparando outras surpresas para a festa.

Não deixe também de assistir acima ao trailer do documentário Gerson King Combo VivaBlackMusic, registro mais do que merecido e que de alguma forma ajudará a fechar parte de uma lacuna que o nosso país tem com muitas de suas figuras emblemáticas.

“Funk Brother Soul” para os espíritos atentos e dançantes!!!

Antonio Rossa